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A máquina, ou melhor, o músculo que bombeia o sangue para o corpo inteiro possui sua própria rede de energia. Graças a esse bem montado sistema elétrico, ele consegue bater na cadência certa, dando conta do seu trabalho e mantendo a circulação. Quando, porém, surge um curto-circuito, o coração perde o compasso — e, assim, deixa de contrair e relaxar com a mesma precisão. É aí que se anuncia a arritmia, uma desordem que não tem idade para se manifestar. Se por vezes ela se mostra inofensiva, outras tantas pode fazer o peito pifar
O alarme soou em terras francesas. Pesquisadores da Universidade de Bordeaux investigaram a relação entre ataques do coração causados por um dos tipos mais avassaladores de arritmia e uma característica de freqüência cardíaca até então considerada normalíssima, a chamada repolarização precoce. Esse leve descompasso de nome complicado, detectado pelo eletrocardiograma comum, se observa geralmente em jovens saudáveis praticantes de esporte. Para surpresa da comunidade científica, ao olhar para 206 pacientes que sofreram uma parada cardíaca notou-se que eles tinham a tal repolarização na juventude
“O trabalho levanta uma nova hipótese: será que a repolarização é uma indicação de que, no futuro, o indivíduo terá arritmias graves?”, diz o médico Gustavo de Lima, do Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul. Os especialistas ouvidos por SAÚDE! ressalvam, no entanto, que, como a pesquisa francesa é a primeira no mundo a fazer essa associação, não há motivo para pânico. “Cerca de 20 a 30% dos jovens têm repolarização precoce em algum momento da vida. O que se deve verificar é se ela é benigna ou maligna”, esclarece José Carlos Pachón, chefe do setor de arritmia do Hospital do Coração, em São Paulo. “Felizmente, a maioria das pessoas apresenta a alteração que não oferece riscos e ela some com a idade”, tranqüiliza.
Para checar se há perigo à vista, pode-se recorrer a exames como o próprio eletrocardiograma, o estudo eletrofisiológico do coração e até testes genéticos. Diagnosticada alguma ameaça pra valer, daí, sim, vale acionar o alerta. O fenômeno, como mostra o estudo, aumenta a prevalência de uma arritmia violenta, a fibrilação ventricular. “Nesse caso, a freqüência cardíaca se eleva tanto que o coração treme em vez de bater”, descreve Carlos Alberto Pastore, do Instituto do Coração de São Paulo. Desgovernado, ele entra em choque e pára.

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