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Medicina MATÉRIA

De olhos bem mais abertos

Para encrencas como miopia, astigmatismo, degeneração macular, catarata, glaucoma e retinopatia diabética, a luz no fim do túnel brilha cada vez mais forte

por LUCIANA ONCKEN
design GUILHERME COLUGNATTI

Pense em um encontro às escuras. Bate um nervosismo, você sem saber bem o que esperar e, na hora H, aquela decepção. Assim era a cirurgia refrativa, a que livra o indivíduo dos óculos, quando SAÚDE! começou a ser vista nas bancas. O paciente chegava ao hospital enxergando mal de longe e, muitas vezes, saía de lá enxergando mal de perto. Ainda assim, de 1970 a 1990, mais de 1,2 milhão de pessoas passaram por esse procedimento só nos Estados Unidos. Dez anos depois, de 25 a 43% dos americanos operados sofriam de hipermetropia progressiva ou astigmatismo. Será que a operação tinha valido a pena?

Passado um quarto de século, a resposta para a mesma pergunta certamente seria outra. Cerca de 90 mil brasileiros realizam cirurgias refrativas a laser a cada ano — com precisão, segurança e, na maioria dos casos, sem apresentar problemas posteriores. Tudo num piscar de olhos. “A recuperação agora leva menos de 24 horas”, atesta o oftalmologista José Barbieri Júnior, do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp). “Temos no Brasil tecnologia para resolver nove em cada dez casos de miopia, astigmatismo e hipermetropia”, garante Adamo Lui Netto, oftalmologista da Santa Casa de São Paulo.

Por serem tão freqüentes, as cirurgias refrativas são sempre lembradas para ilustrar os avanços recentes da oftalmologia. Mas há outros destaques. Antes, quem tinha catarata, por exemplo, passava sete dias internado por causa de uma cirurgia com altos riscos de deslocamento de retina. Hoje, bastam 15 minutos para a cirurgia começar e acabar — praticamente sem risco algum.

O fato é que, até o começo dos anos 1990, só havia uma opção segura para quem usava óculos: continuar usando óculos. Mesmo as lentes de contato eram um desconforto só (veja sua evolução nos complementos desta matéria). Tudo começou a mudar em 1992, quando chegaram as cirurgias a laser no país. Mas o grande marco foi o surgimento, em 1994, da técnica Lasik, capaz de considerar a movimentação natural dos olhos. No início, ela servia apenas para a miopia. Hoje, corrige todos os erros de refração e inclui o aberrômetro, equipamento que mapeia a córnea para uma cirurgia personalizada, reduzindo bastante as chances de visão distorcida em ambientes com pouca luz, um efeito colateral relativamente comum no passado.

 
 
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