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A maior parte das dores nas costas some com o tempo e com alguma ajuda terapêutica. A exceção costuma ser o sofrimento causado por uma hérnia, mal capaz de impedir as tarefas mais rotineiras. Ninguém sabe por que o disco que fica entre as vértebras sai do seu canto rumo ao canal da medula ou aos vãos de onde partem as raízes nervosas. Vários fatores, porém, contribuem para a dolorosa mudança de lugar entre eles, o sedentarismo, a genética, a obesidade e até o envelhecimento, já que, com o tempo,o disco se torna ressecado e menos resistente.
Deslocado, o disco comprime os nervos. Primeiro, os médicos tentam aliviar a dor com remédios e exercícios para a postura. Só que nem sempre isso funciona. Daí, até há pouco tempo, a saída era recorrer a cirurgias convencionais. Isso significava uma operação aberta, isto é, com um grande corte e uma recuperação lenta e bem dolorosa, explica o cirurgião ortopédico alemão Stefan Hellinger, que atende em Munique, na Alemanha, onde é considerado um expert em técnicas minimamente invasivas. As novas cirurgias são cada vez mais procuradas porque os pacientes têm medo das técnicas antigas, capazes de afastá-los de suas funções por um bom tempo, nota Wilson Dractu, coordenador do Hospital Abreu Sodré, em São Paulo, que pertence à Associação de Assistência à Criança Deficiente, a AACD, e é referência no Brasil nesse tipo de intervenção menos agressiva
Outra grande vantagem das técnicas recentes é que elas interferem apenas na estrutura afetada, preservando toda a região no entorno. O segredo é encontrar a melhor solução para cada caso, relata o médico Stefan Hellinger. Existem pacientes em que a simples redução do volume do disco já resolve, porque aí ele pára de pressionar os nervos. Neles, a nucleoplastia com radiofreqüência, que acaba com o recheio gelatinoso da estrutura, pode funcionar muito bem, exemplifica. Para outros, basta fazer uma pequena parte do anel se contrair, justamente aquela que está sufocando um nervo.
Em todos esses procedimentos, porém, os instrumentos usados são finíssimos. O cirurgião faz pequenos furos nas costas do paciente em vez de cortes. Isso, por si só, já diminui o risco de infecções e torna o pós-operatório mais tranqüilo. As cirurgias modernas estão diminuindo o impacto negativo da hérnia de disco na vida das pessoas, já que o problema é resolvido com maior facilidade, opina o médico Carlos Maçaneira, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Coluna.
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