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Medicina MATÉRIA

Colesterol: saiba tudo o que mudou

Colesterol: mudou tudo
O controle dessa gordura se tornou mais rígido. O HDL pode não ser bom sempre. Mas manter a calma e a alimentação saudável ajuda muito.

por Fábio de Oliveira | fotos Gustavo Arrais | design Eder Redder

Caíram. Caíram não: despencaram. A queda vertiginosa em questão se refere às novas metas do colesterol, mais especificamente sua porção considerada nociva para as artérias, o LDL. De 100 miligramas por decilitro no sangue, que até então era o limite saudável, seus níveis agora devem ser inferiores a 70. Esse objetivo precisa ser almejado principalmente por quem já foi diagnosticado, por exemplo, com as placas de gordura, as responsáveis por interromper o fluxo sangüíneo nos vasos um ataque cardíaco geralmente é a conseqüência desse engarrafamento nas grandes vias que abastecem o coração.

A norma foi recentemente baixada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Essa mudança se baseia em estudos com indivíduos que, acompanhados por um determinado período, conseguiram reduzir as taxas de LDL, diz o clínico José Ernesto dos Santos, da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto, no interior paulista. Ou seja, são números factíveis. E, no final das contas, essas pessoas tiveram menor prevalência de doenças cardiovasculares, como infarto e derrame.

Numa das várias pesquisas em que se apoiaram os especialistas da SBC para estabelecer o novíssimo limite, os voluntários se valeram da última geração de estatinas, o medicamento que nocauteia o LDL. No início da investigação eles também se submeteram a um ultra-som intravascular. Esse método permite visualizar a presença e o volume dos ateromas,  o outro nome das placas, nas artérias coronárias. "Elas regrediram ao longo de um ano", conta Santos, que participou do comitê envolvido na elaboração do documento da SBC. "Depois de 18 meses constatou-se uma diminuição de espessura e da área ocupada pelas lesões nos vasos", conclui. Essa espécie de retração foi verificada nos participantes que alcançaram taxas de LDL entre 65 e 70. Taxas bem baixas.

Apesar de oficialmente os níveis ideais de LDL não terem mudado para grande parte da população, permanecendo por volta de 130 miligramas por decilitro de sangue para quem nunca teve maiores problemas, no fundo o conselho para todos é vigilância absoluta. Isso porque 40% dos brasileiros se encontram no chamado grupo de risco mediano. É aquele pessoal que está com vários quilos a mais, fuma e tem a pressão um tanto elevada.

 
 
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