Dieta dos pontos Leia, use, aprenda a comer de tudo e emagreça de vez (com muito prazer!)
De olho no que você anda pondo no prato, resolvemos investigar o que escondem alguns dos pescados mais consumidos Brasil afora. E fomos às compras no principal centro de abastecimento do país — a Ceagesp, Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo. Fisgamos, sem pestanejar, o cação, o atum, a sardinha, a pescada branca, o salmão, o linguado e o pacu — campeões incontestes de popularidade, sendo o último um peixe de água doce. Nosso segundo passo foi levar tudo isso para o Laboratório de Controle de Alimentos da Secretaria Municipal da Saúde, em São Paulo. Daí, solicitamos a análise dos teores de chumbo e mercúrio. Duas semanas depois veio o resultado. E todos — sim, você leu certo, to-dos — apresentavam resíduos de mercúrio. Essa substância é definida pelos especialistas como extremamente tóxica ao sistema nervoso, ou seja, é capaz de trazer problemas que vão desde uma tontura até, em casos de ingestão exagerada, cegueira e demência. Sem meias palavras, um verdadeiro veneno.
A esta altura você pode estar se sentindo como alguém que se engasga com aquela espinha que passou despercebida na moqueca. Calma. Ainda não há razão para entrar em pânico. Exceto o cação, que não à toa é apelidado de lixeiro do mar, os outros estavam dentro dos limites de tolerância estipulados pelo Ministério da Saúde brasileiro. E há ainda que considerar os níveis de segurança criados pela comissão científica da Organização Mundial da Saúde. Ou seja, pitadas desses metais, embora sejam terríveis, são até toleráveis. Os especialistas ouvidos por SAÚDE! foram unânimes em afirmar que não é preciso eliminar de vez toda a turma marinha do cardápio. A dica, que vale para tudo o que diz respeito à alimentação, é simplesmente não exagerar. Então, que tal alternar o peixe com um filé de boi ou de frango? E, de preferência, banir o cação da mesa.
Poluição. Ela é a grande culpada pela contaminação de pescados. "Desde os metais usados no garimpo até dejetos de grandes indústrias, muitas substâncias nocivas vão parar nos rios e acabam desaguando no mar", conta a química Dilza Maria Bassi Mantovani, pesquisadora do Instituto de Tecnologia de Alimentos, o Ital, que fica em Campinas, no interior paulista. Assim, não importa se o peixe é de água doce ou salgada. O perigo mora principalmente nas águas dos arredores de fábricas de baterias, tintas, lâmpadas fluorescentes e soda cáustica. Mercúrio, chumbo e arsênio são componentes assíduos na fabricação desses produtos. "O problema é quando a indústria não tem o mínimo cuidado com o meio ambiente e deixa o veneno escoar sem dó nem piedade", enfatizaoquímico Marcelo Morgano, que também é pesquisador no Ital.
Veneno na água
Na região amazônica o mercúrio é usado para refinar o ouro nas minerações. E os pobres peixes que nadam por ali acabam em meio a resíduos do composto. Um trabalho recente realizado pelo Instituto Evandro Chagas, no Pará, feito com 30 espécies de pescado, acusa que: 65% delas estavam contaminadas com o metal — e acima dos teores permitidos. E não apenas a água contém o veneno. As plantas aquáticas também. Como servem de alimento para os peixes, eles acabam se entupindo de mercúrio. "O metal se acumula em todos os tecidos do organismo, chega mesmo a atravessar a parede celular", descreve o químico Aricelso Maia Lima Verde Filho, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. E isso vale tanto para o peixe como para o homem. A péssima fama do mercúrio vem da década de 1960, quando correu mundo a notícia da contaminação de uma baía no Japão. Quem relembra esse triste episódio é o professor Aricelso. "Foram relatados casos de enjôo, dor de cabeça e até morte", diz. Parece que o mercúrio prefere o sistema nervoso. Por isso crianças precisam ficar a léguas de distância dele. "As gestantes também devem evitá-lo, já que esse metal é capaz de atravessar a placenta", alerta o farmacêutico Alfredo Tenuta Filho, da Universidade de São Paulo.
O chumbo, por sua vez, gosta de se alojar nos ossos. "Ele compete com o cálcio", diz a nutricionista Késia Quintaes, doutora pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Em outras palavras, danifica o esqueleto. Já o arsênio, que infelizmente apareceu em peixes do litoral paulista, segundo uma análise realizada pelo Ital, é capaz de provocar tumores e tem sido associado a danos no fígado.
Você deve estar se perguntando: como vou saber se o peixe que eu omprei está contaminado? "É impossível ver as substâncias a olho nu", responde a pesquisadora da Secretaria Municipal da Saúde Rute Villatore, que, ao lado seu colega Cláudio Fukumoto, analisou os pescados para esta reportagem. Pior: não tem cozimento que elimine metais pesados. "Uma medida de segurança é tentar descobrir de que região eles vêm", sugere Aricelso Lima Verde. Se for de locais reconhecidamente poluídos, fuja!
Qual o limite para os peixes?
O peixe até pode ter uma pitada de metal pesado. Que fique claro, uma pitada. Eis as dosagens de segurança estipuladas pelo Ministério da Saúde.
• Mercúrio - Peixes predadores: 1 miligrama por quilo. Outros peixes: 0,5 miligrama por quilo.
• Chumbo - Para todos os peixes: 2 miligramas por quilo.
• Arsênio - Para todos os peixes: 1 miligrama por quilo.
E qual o nosso limite?
A Organização Mundial da Saúde considera como segura a ingestão de ínfimas porções. Confira a seguir:
• Mercúrio - 5 microgramas por cada quilo do seu peso por dia. Assim, uma pessoa de 60 quilos pode ingerir até 300 microgramas por dia.
• Chumbo - 25 microgramas por quilo de peso por dia. Ainda tendo como base os mesmos 60 quilos, são permitidos até 1,5 mil micrograma.
• Arsênio - De 0,1 a 7,20 microgramas por dia por quilo de peso. Faça as contas.
E a história dos vermes?
Parece que o mar não está mesmo pra peixe. No começo deste ano, uma doença chamada difilobotríase assustou os consumidores de peixe cru, especificamente de salmão, uma das estrelas da culinária japonesa.
Por causa dele, dezenas de pessoas foram parar no hospital com diarréia e enjôo. O parasita, chamado Diphyllobothrium spp, é um tip o de tênia típico dos peixes. "Mas o cozimento e até mesmo o congelamento, a 21 graus negativos no mínimo, são capazes de acabar com ele", tranqüiliza o epidemiologista Expedito Luna, diretor do Departamento de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde.
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Linguado Mercúrio: 0,05 miligrama* *por quilo |
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Pescada branca Mercúrio: 0,10 miligrama* *por quilo |
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Cação Mercúrio: 1,47 miligrama por quilo, quando o limite seria 1 miligrama. |
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Pacu Mercúrio: 0,11 miligrama* *por quilo |
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Atum Mercúrio: 0,13 miligrama* *por quilo |
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Sardinha Mercúrio: 0,08 miligrama* *por quilo |
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Salmão Mercúrio: 0,09 miligrama* *por quilo |






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